
terça-feira, 27 de julho de 2010

segunda-feira, 21 de junho de 2010
Wild Heart

Sim, eu pensei muito. Dormindo ou acordada, tenho passado por muitas coisas, e a mesma dúvida ocupa minha cabeça. Às vezes não sei se posso continuar. Enfim, eu nunca sei o que fazer. Nunca sei como agir diante de cada falsa esperança que lampeja em minha mente. Estou me sentindo confusa, é só isso. Vai passar, eu acho.
Acho que não tenho muita escolha. Até eu mesma esqueci de que ainda sou humana, feita de sangue como qualquer um. Só não vou sentir mais nada, não vou reagir a nada. Impenetrável, inatingível, indiferente. É como juntar os pedaços de algo que está quebrado. É como uma mentira, eu sei. Mas para meu próprio bem, tenho que acreditar nela.
E pra recomeçar, trouxe apenas a mim mesma e um coração violento e desfigurado. E não vou me preocupar com mais nada, ou com mais ninguém. Eu vou sobreviver. Aliás, vou passar o dia inteiro escrevendo no meu caderninho, isolada, observando coisas e pouco me lixando pro resto do mundo. Foda-se. Sempre dou a volta por cima. Sempre.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Aham, Cláudia, senta lá!
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quinta-feira, 17 de junho de 2010
Entre Amigos - Parte II
Hi, peoples lindas e absolutas que visitam esse blog. ;D
Bem, a Cecília não é exatamente inexperiente como escritora, você pode ver o blog dela aqui. Ela fez um texto baseado nesse aqui, de minha autoria. :B
Então, amour, boa leitura.
*
Morte, por Cecília Maria.
Eu observei tudo bem de perto, queria impedir aquilo, mas algo dentro de mim não deixava. Eu o vi caído no chão, morto, com uma bala no meio do peito que sangrava sujando toda sua camisa branca. Ela estava ali também, agarrada ao corpo dele chorando. Pude perceber um resquício de esperança no olhar dela. Ela queria que ele estivesse vivo. Eu também. Ele era meu até ela aparecer e tirar de mim a minha única alegria. O único responsável pelo sorriso tímido que surgia no meu rosto toda vez que o via, pelas lágrimas derramadas e pela minha existência.
Sofri muito até ele aparecer feito um anjo na minha vida, fez com que eu esquecesse tudo e vivesse momentos realmente bons ao seu lado. As feridas em mim estavam quase que totalmente curadas, mas ele me deixou e elas só aumentaram. Ela era a culpada de tudo, ele estava morto agora, ele deu sua vida para salvá-la. E pensar que um dia ele prometeu fazer isso por mim.
Eu estava chorando. Queria correr, abraçar seu corpo ensangüentado e implorar por seu amor de volta. E então os olhos dela encontraram os meus. Tinha um olhar distante, sem vida. Me senti mal por desejar vingança naquele momento. Ela se aproximou, me entregou uma arma e implorou que eu a matasse.A arma que o matou. Alguém fora covarde o suficiente para tirar-lhe a vida e fugir.
Eu tremia com a arma na mão. Não teria coragem de matá-la. Ele a amava, não seria justo com ele. Larguei o objeto. Ela o beijou e atirou em sim própria. Sorriu para mim, esperando pela morte ao lado dele.
*
Okay... Mesma situação, descrição por personagens diferentes. O texto da Cecília parece uma versão 2 do meu texto, feito por uma terceira personagem que eu mesma desconhecia mas estava ligada aos dois suicidas ali. Cecília, adorei. *-*
quarta-feira, 9 de junho de 2010
O Corvo - Preview
Há alguns meses venho trabalhando em um conto baseado no filme 'O Corvo', de 1994. Algumas (poucas) pessoas se interessaram, e senti vontade de fazer uma preview. Qualquer erro, curiosidade, vontade de enfiar um lápis na minha garganta ou comentário, pode dizer. Sua opinião é muito importante. :D
*
Ellena Krave está morta, mas estranhamente, ela ainda vive. Sua alma atormentada não pode descansar em paz enquanto os vermes responsáveis pela morte dela e de seu irmão permanecem impunes. Assim, ela volta à vida em busca de vingança, guiada por um corvo sobrenatural.
Inimigo por inimigo, Elle se aproxima de seu propósito obscuro. Seu corpo não pode ser ferido, e a justiça é feita lentamente... Ninguém pode detê-la. Ela vive. Eles morrem.
Mas ela guarda um segredo perigoso, e se seus assassinos o descobrirem, nada poderá salva-la.
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É véspera do Dia das Bruxas.
Pelas ruelas infestadas de mendigos e uma névoa densa, um vulto ágil movimenta-se como se fosse feito de sombras. Sua existência oculta pela noite é algo contraditório: Ela respira, mesmo que esteja morta.
Seu nome é Ellena Krave, mas ela prefere que a chamem de Elle. Sua vida está acabada, seus inimigos são seus assassinos, e o sorriso de tinta que traz em seu rosto pintado disfarça toda a dor que sentiu. A morte não é mais forte do que a sede de vingança que ela possui.
Finalmente, a luz toca sua figura incomum, revelando ao mundo sua forma. Os cabelos que já foram longos agora eram curtos e irregulares sobre os ombros, chicoteando com o vento no seu rosto inexpressivo. Os traços delicados foram cobertos pela maquiagem branca, os olhos castanhos traziam manchas negras nas pálpebras que se transformavam em linhas que subiam até a testa e desciam até as bochechas. Os lábios, também pintados de preto, tinham linhas curvadas nos cantos, formando um sorriso tão amedrontador quanto o corvo que pousou suave em seu ombro.
A ave agita as asas e voa tranquilamente sobre prédios abandonados, como se procurasse algo. Ele crocita nervoso, assim como fez na sepultura esquecida dela há algumas horas. Pousa em um beco próximo, enquanto Elle salta testando o poder dentro dela. Um homem solitário no beco olha para ela indiferente e cauteloso.
Ela faz uma careta enojada ao lembrar de onde o conhecia. Era um assassino, um dos vermes repugnantes que mataram ela e o irmão.
A mulher sorri pela primeira vez naquela noite. A roupa preta não a aquecia muito bem, e ela tremia a cada rajada mais forte do vento frio, mas era confortável e não limitava os movimentos. O olhar dela era uma ameaça clara. A raiva pareceu se irradiar por todo o seu corpo, mais quente, e a boca de Elle se repuxou em um sorriso cruel.
sábado, 5 de junho de 2010
Entre Amigos - Parte I
Bem, avisei que não postaria apenas o que eu escrevo aqui. Bem, tenho amigos que se arriscam no mundo das palavras, e o Levi, hn, ele tentou fazer um pequeno conto sobre o dia em que me encontrou escrevendo um hentai (Com as devidas modificações feitas).
“Eu estava ali, sentado, mas não parado. Até ver a Rukia-chan¹ escrevendo como sempre. Discretamente, me aproximo como se não quisesse nada. Ela continua a escrever, sem me perceber. Eu espiono e descubro o quê tanto a concentrava.
O HENTAI. O:
Assustado, leio alguns trechos indecentes. E com minha pequena cabeça de garoto humilde, penso: "Rukia-chan é tarada/pervertida/erro/safada/danada". Ela me vê. Eu olho apavorado para a expressão psicopata dela. Rukia-chan pega um tijolo... E acordei no hospital.”
FIM
*Rukia-chan¹ : O Levi acha que eu me pareço fisicamente com a personagem Rukia (Bleach).
É, Levi, como escritor, você é um ótimo desenhista.
Levi diz: Mas... Mas... Eu sou feliz. u_u
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Vida de escritor...
Mas também não posso negar que me esforcei. Desde o começo quis escrever aquilo que eu gostaria de ler, com a paciência e dedicação.
Passei horas digitando, apagando, cortando coisas e acrescentando uma ou outra palavra (ou vírgula) para que um parágrafo tivesse a melhor coesão possível.
É complicado passar para o papel aquilo que você está sentindo.
Preocupei-me em responder cada comentário, em ser simpático e festejei cada vez que via outro. Concordei e me engrandeci com as críticas.
Desejo ver as fics escritas com o coração, cuja escrita beira a impecável receberem o reconhecimento merecido. Desejo que as fics que parecem ter sido escritas por escrever, tenham reviews honestas, críticas diretas. Desejo que as pessoas que escrevem por escrever percebam que suas fics não ficam boas porque falta o sentimento, falta trabalho, falta talento.
Desejo que os escritores só recebam reconhecimento se merecerem.
O melhor dos escritores consegue escrever mais com menos, sabe ser ousado, sabe ter classe. Desejo que os maus escritores vejam no que eles estão usando as palavras erroneamente e tentem melhorar.
Desejo que o número de reviews seja proporcional à qualidade das fics, receber um comentário de quem não gostou de uma fic minha dizendo porque não gostou.
Desejo que com o reconhecimento os tantos talentos escrevam livros e se tornem escritores famosos, para dizerem, olhando para seu passado: “só cheguei aqui, porque na minha época de fics, meu trabalho foi devidamente reconhecido”. E sonho dizer essa frase, sonho ouvir outras pessoas dizendo ao meu redor.
Meu desejo não é impossível. Só precisamos nos mobilizar, escrever com nossos corações e comentar com nossa sinceridade. Nos abrir para novas experiências e deixar nossa preguiça de lado, para apreciar o trabalho daqueles que merecem.
Só precisamos começar. Ler e escrever é maravilhoso, não é?
terça-feira, 25 de maio de 2010
domingo, 16 de maio de 2010
Tietando - Parte II

Eu - Florbela Espanca
Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...
Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber por quê...
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!
quarta-feira, 5 de maio de 2010
I'm still here, guys!
Corram para as colinas, montanhas, enfiem-se em algum buraco ou escondam-se em suas caixinhas. Mas não vou fazer nada com vocês, não agora.
Depois do susto inicial de achar um blog com um design tão fofinho cheio de coisas, como dizer... Sombrias, alguns fugiram, abandonaram, outros continuaram ou aderiram ao meu mundo ‘dark’. Gosto disso. E não te obrigo a ler, lembra? Você está aqui porque quer.
Bem, acontece que escritores têm ‘A Crise’. Não como a econômica, mas igualmente trágica pra nós. As quedas na bolsa de leitores são dramáticas. De nosso cérebro não sai nada digno de ser publicado. Passamos dias tentando escrever algo que acaba sendo rasgado, amassado e jogado numa lixeira. É frustrante, e nos irrita muito. Temos que aturar fangirls/fanboys, modinhas, escritores ruins e leitores negligentes e essa crise bastardinha.
Ta fazendo cara feia por quê?
Mas eu até perdôo, dessa vez. Dessa vez. Não vou ser injusta de cobrar 500 comentários a cada post sem-graça que coloco aqui, principalmente porque eu demoro milênios pra escrever algo decente. Até porquê acho que ningém lê essa merd* mesmo.
Prometo que vou tentar botar um texto novo aqui a cada semana, que vou ser uma anfitriã legal, e aqui no meu blog vocês podem ficar ‘de boa’. Vai ter música, meus textos, filmes, livros, contos, desenhos e poemas. Comentem, leiam, vejam, riam ou chorem... O mundo ‘Sem Título’, esse mesmo que não pode ser definido em uma palavra qualquer, me pertence. Mas você é bem-vindo, sempre que quiser.
*
sábado, 27 de março de 2010
The Raper

Não grite, meu amor, não há outro caminho.
Eu quero você, e agora vou tê-la.
Você sabe que eu amo você, minha querida.
Você é minha, por isso não fale uma palavra.
Pare de gritar, de chorar e de se debater.
Você é minha, garota, não me diga para parar.
Eu quero você e eu vou ter você.
Você é minha, por isso não fale uma palavra.
Aqui e agora, vou levar embora a alma que nunca foi sua.
Você me pertence, então não implore minha misericórdia inexistente.
Você pertence a mim e à minha vontade.
Você é minha, por isso não fale uma palavra.
Eu quero que você e eu vou ter você.
Cale-se, vadia! Você é minha!
Fique quieta e me obedeça.
Você é minha e eu a quero.
Eu te amo, entende? Eu amo você.
A culpa é sua, eu disse que a queria.
Eu lhe disse, eu disse a você.
Você é minha e eu a quero.
Você é tão linda, não tente cobrir-se.
Isso dói? Eu não me importo.
Você nunca se importou em me usar.
Você é minha e eu a quero.
Eu queria que você soubesse que eu a amo mais do que tudo.
Eu queria que você soubesse que sou forte e vou protegê-la.
Eu queria que soubesse que sou forte e vou fazer o que quiser de você.
Eu queria que você soubesse que eu nunca qui lhe causar nenhuma dor.
Você é minha, eu disse, e eu a quero mais do que minha própria vida.
Você é minha, por isso não fale uma palavra.
*
Por incrível que pareça, mesmo escrevendo esse tipo de coisa com temática suicida e um tanto suspeita, eu sou normal. Pelo menos eu acho que sim. '-'
segunda-feira, 22 de março de 2010
quinta-feira, 18 de março de 2010
Tietando - Parte I

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Loucos e Santos* - Oscar Wilde.
'Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. (...) Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero o meu avesso.(...) Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.(...) Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem,mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto: e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo, loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que “normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.'
*Santos, no sentido de sãos, sensatos. (y)
Esse é o meu favorito... Quem quer escrever como ele levanta a mão!!! o/
segunda-feira, 15 de março de 2010
Join me In Death
Pagaria qualquer preço para sentir esse gosto novamente. A dor cresce ainda mais, gotejando como ácido em minhas veias. Minhas mãos acariciam o rosto inexpressivo por um momento. Meus dedos tocam a face bem-desenhada, os cachos bem-feitos do cabelo escuro, contornam os lábios perfeitos e quase sem cor. O mundo era puro silêncio.
– Tão... Bonito. – murmuro, tão trêmula e relutante quanto a beleza que hesitava em deixá-lo. Meus braços permanecem firmes ao redor de seu corpo, os dedos como travas em seus ombros. Ele parecia frágil como uma criança pequena.
Pressionei a boca em sua testa fria. O gosto convidativo de sua pele era quase imperceptível, e o fluxo agradável do sangue através de sua pele fina desaparecera por completo. Ele tinha gosto de vida, e eu nunca esperei menos dele, afinal, partira de minha vida exatamente como chegara à ela: sem motivos, sem razões.
Beijei a pele macia do pescoço alvo e minhas mãos o soltaram carinhosamente no chão. Agora fazia sentido, e nada importava. Eu mesma não significava nada. Tudo era pouco. Nós dois, juntos, éramos mais que o mundo.Sem ele, eu não era nada. Segurei o metal frio e molhado da arma com os dedos trêmulos, erguendo devagar, cautelosamente, na altura do peito. Manchas de um escarlate úmido e desbotado tingiam a camisa branca que se misturava à palidez de sua pele. O rosto permanecia sereno, como se ele estivesse dormindo. Mas ele jamais acordaria.
Não cogitei pensar se suportaria sua ausência. Não correria o risco de perdê-lo também. Eu prometera amá-lo na saúde, na doença, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza até que a morte nos separasse. Mas eu não deixaria isso acontecer.
Respirei fundo, sentindo o pulsar irritante e doloroso do meu coração. Segurei a arma com firmeza entre as duas mãos e apertei o gatilho.
Uma. Duas. Três vezes. Eu não queria esperar.
A arma caiu de meus dedos ensangüentados quando senti a morte invadir meu corpo com facilidade. Desabei ao lado dele, e gemi, surpresa com a dor. Minha mão direita segurava a sua, e a esquerda tentava inutilmente manter meu sangue dentro do corpo. Desisti e acariciei a palidez marmórea de suas faces. Eu também sangrava por dentro, e sentia o ar entrar por meus pulmões como navalhas minúsculas e afiadas. Sorri, sentindo que não faltava muito.
Abraçada ao seu corpo inerte, esperei para morrer.
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Inspirada em Join Me In Death - HIM.
Pesadelo
Fiz um movimento mínimo com a ponta dos dedos, sentindo a superfície macia sob minhas mãos. Algo limitava os movimentos dos meus pulsos e percebi que estavam presos. Porque alguém me prenderia? Passei a língua sobre os lábios, sentindo o gosto metálico de sangue. Frazi o cenho, e minha testa latejou. Não me lembrava de estar sangrando.
Soltei o ar pela boca.
Um tubo fino passava ao lado do meu corpo e parecia conectar-se à possível fissura na pele do meu braço. Agulhas intravenosas. A idéia fez com que eu me sentisse enjoada. Arfei.
As sombras no fundo do cômodo tomaram a forma de um vulto. A luz tocou seu rosto pálido e os olhos tão escuros quanto seu terno me fitaram com ira e desprezo. Seus lábios se retorceram em um sorriso torto e cruel. Estremeci ao olhar sua expressão, uma mistura impiedosa de sadismo e sede de vingança. O tubo pareceu encher-se de algo que ardeu ao percorrer minhas veias. A sensação era desconfortável, concentrava-se em certos pontos do meu corpo e intensificava-se ali. Nas pontas dos dedos, no pescoço, nos pulsos, na pele dos ombros e no peito parecia queimar. A vulnerabilidade, o medo e a frustração faziam lágrimas caírem pelo meu rosto.
O estranho sentou-se ao meu lado e, se entregando ao deleite, divertia-se com a minha dor. Em silêncio, seu dedo indicador tocou uma das minhas lágrimas. Estava difícil respirar. Era demais. A dor me retorcia nas amarras, me arruinando como uma corrente elétrica. O estranho brincava distraidamente com uma mecha do meu cabelo. Por um instante, me senti prestes a... Oh meu Deus.
Eu ia dizer 'morrer'.
- Por quê? - sussurrei.
Em resposta, o estranho apenas sorriu. Aproximou-se, a respiração em meu pescoço, contida e regular. A boca cheia e bem desenhada tocou a minha face e murmurou friamente contra ela. E sua voz, suave e tranquilamente cortou o ar, conhecida demais para que eu não pudesse me chocar. Chocante demais para que eu não pudesse reconhecer.
- Você merece. - o tom alterado da voz rouca pareceu envolver as palavras com ácido para me ferir ainda mais.
Acordei sobressaltada.
Olhei por um instante para os travesseiros tortos e os cobertores desarrumados. Meus olhos vagaram pelo quarto, passando pela estante recheada de livros, e pelo resto... Tudo normal. Fixei meu olhar na escrivaninha. Sobre ela, meu netbook laranja parecia me chamar. A sensação era estranha.
Me encolhi. Algumas lágrimas caíram pelo canto dos meus olhos e desceram até o queixo. Fui até o banheiro fazer minha higiene matinal e lavar meu rosto. Abri um pouco as cortinas e revelando céu cinzento por trás delas. Eu sabia que escrever aquilo me faria bem. Me movi mecanicamente até o computador e o liguei.
Soltei um suspiro pesado. E fiz o que sempre faço: Escrever.
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'O fogo enrijece aquilo o que não consome.' - Oscar Wilde.
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Para Bruna Galvão.
Obrigada por me deixar ler suas histórias de terror.
Espero que isso agrade você. Eu fiz com o mesmo carinho que você tem pela sua agenda da Pucca. :B
sexta-feira, 5 de março de 2010
formspring.me
domingo, 10 de janeiro de 2010
Essência.
LαizDiniz #.


